Uma contribuição do grande Alexandre Rosas:
"Essa é uma boa oportunidade para desfazer um equívoco muito comum.
O gerúndio é um tempo verbal da língua portuguesa correto, vernáculo, castiço e necessário. O que não é correto é usá-lo como se estivéssemos falando inglês, com a sintaxe inglesa, que foi exatamente o vício que os manuais (mal) traduzidos de telemarketing introduziram no nosso dia-a-dia nos últimos anos.
O americano diz, corretamente, ao telefone: "I will be transferring you..."
Nesta situação, nós, brasileiros, dizíamos (antes do telemarketing): "Vou transferi-lo..."
Passamos a dizer (depois do telemarketing): "Vou estar transferindo..."
Esta última é a sintaxe (modo de escrever) do inglês, numa situação do discurso em que nunca usamos antes semelhante sintaxe.
O gerúndio, repito, existe e deve ser usado em português, mas devemos reconhecer as *situações do discurso* em que ele se encaixa, e aquelas em que ele não se encaixa, onde é apenas uma sintaxe mal importada do uso americano.
O gerúndio, portanto, é uma forma verbal legítima, não deve ser evitada, mas deve ser usada nas situações corretas (há diferenças entre Brasil e Portugal, e neste e-mail só vou falar do uso brasileiro - mas o gerúndio é legítimo, nas situações corretas, dos dois lados do Atlântico).
O *gerundismo* sim, deve ser evitado, porque se refere ao *abuso* do gerúndio, ou seja, ao seu emprego nas situações erradas, ou melhor dizendo, nas situações em que ele não é necessário.
Finalizando, as frases "Estou divulgando um evento" e "estou produzindo", que você evitou acima, são perfeitamente corretas, legítimas, vernáculas, e não ferem nenhuma regra de correção, estilo, sonoridade ou bom gosto, e, portanto, não devem ser evitadas.
Outro exemplo legítimo de gerúndio usado corretamente (e, portanto, não de "gerundismo"):
"Quando você estiver aterrissando, eu vou estar chegando de carro".
Repare que o uso acima é idêntico, na sua forma, ao malfadado "eu vou estar fazendo" do telemarketing americanizado, mas a diferença está, como tentei explicar mais acima, na *situação*, que pede o gerúndio para caracterizar corretamente as ações *futuras*, que estarão acontecendo em algum momento do futuro: um vai estar aterrissando de avião enquanto o outro vai estar chegando de carro, e não há mal nenhum nisso.
Mas, "Vou estar solicitando...", "Vou estar enviando...", quando a atendente se refere ao presente imediato do telefonema, isto sim é o gerundismo, que deve ser evitado."